"Pai,
amanhã é o teu dia, ou deveria dizer o nosso dia? Há um anos atrás quando estava sentada a escrever sobre ti, sobre o teu dia, tinha esperança que este ano já tudo fosse diferente, que poderia escrever o quão desempenhas tão bem o teu papel, de facto poderia escrever 1001 coisas sobre ti, mas a realidade é que um ano não muda uma vida inteira nem apaga memórias. Memórias... que ironia, tipo que temos boas recordações ou histórias engraçadas da nossa parceria, da nossa cumplicidade entre pai e filha. A distância que nos separa não é só esta parede que nos divide neste exacto momento, e que nos divide nos outros 364 dias do ano, o que nos separa é o conhecimento. Tu não me conheces, eu não te conheço. Tu nem sabes a data dos meus anos, celebrei o meu aniversário a semana passada e se ciente estou, não me lembro do teu "bom dia filha, parabéns". Vamos pôr as coisas mais simplificadas, tu és simplesmente o homem obscuro da minha vida que passa toda a sua vida sentado no sofá da minha casa, eu sou só a mulher que passa ao lado. O único sentimento que nos une é pena, da minha parte é, e de facto lamento acerca disso."
